
O primeiro conto publicado de Uwem Akpan, “Uma ceia de Natal”, apareceu no número da revista The New Yorker dedicado aos estreantes de ficção, em 2005. O retrato pintado pela história de uma família que vive num barracão improvisado no Quênia urbano e de sua tentativa de encontrar presentes de qualquer tipo para a iminente festa de Natal dá uma realidade prosaica às circunstâncias mais extremas – e assinala a chegada de um escritor de talento estonteante.
“O quarto dos meus pais” é o relato de uma menina ruandense sobre a luta de sua família para manter uma fachada de normalidade em meio a atos atrozes. Em “Engordando para o Gabão”, um irmão e uma irmã se confrontam com a tentativa do tio de vendê-los como escravos.
“Carros fúnebres de luxo” cria um microcosmo da África dentro de um ônibus cheio de passageiros refugiados e nos apresenta a um adolescente muçulmano que invoca a fé para suportar uma viagem traiçoeira pela Nigéria. “Que língua é essa?” revela o desgaste emocional do conflito cristão-muçulmano na Etiópia pelos olhos de amigas de infância. Cada história é um testemunho da sabedoria e da resistência das crianças, mesmo diante das situações mais aflitivas que nosso planeta pode oferecer.
Minha Opinião: Nem ótimo, nem muito bom, nem bom, nem regular, nem péssimo, simplesmente marcante, tocante, chocante e inesquecível.
Eu tenho nove anos e sete meses de idade... Pela narração de uma criança esperamos que as próximas linhas sejam: adoro andar de bicicleta, minha família me ama, moro em uma casa linda, meus brinquedos, ops, você está lendo a realidade das crianças da África, infelizmente as próximas linhas não são recheadas de esperança, cores, alegria. As palavras que seguem a narração são chocantes, totalmente fora do alcance dos meus olhos, completamente diferente da minha realidade. Esse ponto chave é que torna o livro uma dura viagem pelos pensamentos, sentimentos de crianças que convivem em meio a miséria, pobreza, não apenas de alimento, mas de amor, carinho, respeito, afeto e PAZ. Confesso que algumas páginas foi impossível ler, eu já pressentia o que ia acontecer, meus olhos corriam as palavras, meu pensamento ia formulando exatamente o barraco, a criança, a dor, a violência, a desumanidade e ao mesmo tempo minha consciência ia me perguntando, o que fazer? o que fazer? o que fazer? E tudo nessa sincronia, minha razão ia martelando, é tudo verdade, é tudo verdade, quantas crianças estão sofrendo...
Foi uma leitura diferente da que estou acostumada, um sentimento diferente ao final das páginas, uma inquietação maior frente aos problemas sociais. Talvez eu não pegue o primeiro avião para África e comece a mudar o mundo, mas vou começar a fazer o que posso, onde estou. Confira essa leitura, faça uma viagem diferente, talvez não através de lugares lindos, personagens vibrantes, histórias com final feliz, mas através de uma realidade que merece pelo menos a nossa atenção.
Um pouco sobre o autor...
UWEM AKPAN nasceu em Ikot Akpan Eda, no sul da Nigéria. Após estudar filosofia e inglês nas Universidades de Creighton e Gonzaga, cursou teologia por três anos na Universidade Católica da África Oriental. Ordenado padre jesuíta em 2003, fez mestrado em produção textual na Universidade de Michigan, em 2006. “O quarto dos meus pais”, uma história incluída nessa sua primeira coletânea, foi um dos cinco contos de escritores africanos escolhidos como finalistas para o concurso Caine Prize for African Writing. Em 2007, começou a lecionar em um seminário em Harare, no Zimbábue.
Visite também o site do livro: http://www.digaquevoceeumdeles.com.br/
Uauuu... achei que não ia terminar o post! Essa foi uma leitura das minhas férias, fazia um tempão que o livro estava aqui ao meu lado para terminar a resenha, enfim, prontinha ;)













